Preâmbulo
Tempera(Mental)Mente
1.
Quando constatei
a encarnação do Acaso-Absoluto
agarrei-me às vísceras do planeta
e toquei subtilmente
na inconciliável dualidade da
alma e do corpo.
Lembro-me que me aconteceu
um orgasmo cerebral
e vivi durante três Eternidades
e sete sonhos
momentos inebriantes e muito
confusos.
Do que me aconteceu somos
todos culpados.
Concluí também que existimos
só para conhecermos a
angústia-dos-fiéis
e as réstias dos sonhos
mal-acabados.
Temos que nos anular;
temos que nos redimir pelo Nada
que contém o Todo.
A Juventude e a Beleza
de todos os sentido de agora,
são simplesmente um acaso do 1º
grau
à escala cósmica.
A Juventude e a Beleza
só têm sentido no acaso
da encarnação que se segue.
A
nossa
perplexa vida é feita de acasos
e de encontros fortuitos, de mil
sentidos sem horizonte.
A
minha
vida é uma partitura a duas vozes.
Há sempre um caminho onde circula
uma Beleza-Secreta de asas
azul-paraíso
à espera de um passageiro de
viagens eternas.
Este poema é maior que ele
próprio;
é um bilhete que dá acesso a todos
os Uni-versos.
2.
Sou um iniciado de CHRISTOS.
No mais profundo de mim
existe um Templo de Espírito
que anseia a sua visita
irradiante.
Tudo é puro e de paz
quando a Luz ilumina o Templo.
Irradiante-mente
bebi um copo com Hermes.
3.
Sou sendo o Minotauro, o fio de
Ariana e o Labris.
Quando me esqueço do Labris e do
fio é terrível e confuso;
o Minotauro investe e o medo
instala-se,
desorientado e preso na
impotência, viro estátua de barro.
A luta é quase impossível porque não sou herói nem filho de
Teseu
e o estado divino teima em
não se revelar
nos homens de angústia e de
ansiedade onírica e tempera(mental).
Com o Labris e o fio venço o
Minotauro e o desconhecido
é um doce-convite, uma aventura
fantástica e eterna.
Não se deve andar no Labirinto sem
o Labris e sem o fio.
4.
Deus dos outros:
Eu tão só,
triste e esperançado
- no meio do meio -
da Tua - Presença-ausência.
Porquê(?)
5.
Pela janela telúrica
meus olhos prendem o Mundo
na sedução do momento.
O que é visto é Um-Todo-Erótico.
O meu orgasmo é campesino
e o Espírito-da-manhã
dita-me o caminho.
O olfacto já não é só
um sentido e um enigma
porque o Destino
é o cheiro eterno,
o advento da Rosa redentora.
6.
O Azul
desfez-se em volúpias,
intensidades transcendentais,
fervilhantes vitalidades
que esmagam horizontes
de Alquimia - visíveis com
olhos emprestados de anjo-bébé.
Os partos-de-Essência
acontecem provocados
pela vontade desmedida da
cosmicidade do Azul-infinito
que não existe nas coisas-do-mundo
nem neste vosso-observável Céu.
O que advém da Luz,
sem ser visto por Nós,
seres com medo do Medo, do
nada e do escuro,
oculta-se no
Azul-absoluto-total
e é o enigma que existe
nos sonhos-azuis-irradiantes dos
místicos e dos para-deus.
7.
Das «coisas intensamente belas»
que habitam o outro lado de nós,
emana o raro e único perfume,
qual afrodisíaco que nos faz
desejar a mãe-deusa-Arte:
essa que levará carinhosamente
ao colo - pelos caminhos do
Infinito -
a criança-eterna
que dorme - por enquanto -
demasiadas horas por dia.
Ângelo Rodrigues
in
DA RESSURREIÇÃO DO ESPANTO,
Ed. Minerva, 1998 (esgotado)
CONVITE
Editorial
Minerva e os
autores
Maria Emauz; João Sevivas; Regina Gouveia;
Reis Brasil; Isaura Andrade; Jorge Andrade; Manuel José Caria Gonçalves;
Emanuela Ribeiro; Luís Raposo; Nelma Campos; Angelino Pereira; Humberto
Veríssimo Soares Santa; Isabel Pereira; Luís Costa; Arlindo de Sousa e
Fernanda Alcantara
têm o prazer de convidar V. Exª, família e amigos, para a Sessão de
Apresentação da colectânea de poesia TEMPERA(MENTAL, a realizar no dia 20 (Sábado) de Outubro de
2001, pelas 17:30 horas em:
PALÁCIO GALVEIAS - Biblioteca Municipal Central
Campo Pequeno – Lisboa
Coordenação da sessão e apresentação da obra e autores por
Ângelo Rodrigues (com a colaboração de Von Trina).
Participação especial do escritor e “animador de ideias” Júlio Roberto. Selecção de poemas ditos por América Miranda (Rádio Renascença –
Voz de Lisboa) e pelos
Jograis Orpheu. Performance musical por Francisco Assis (piano/guitarra/voz) e
Lina Góis (voz).