ELISA
SILVA é professora de História e Língua Portuguesa do ensino preparatório
na Escola E. B. 2,3 Matilde Rosa Araújo, na Parede.
Nasceu no Estoril há cinquenta anos.
Sendo
para os leitores uma autora desconhecida, dedicou-se no entanto durante a
sua juventude a publicar contos e poemas no
«Jornal da Nossa Terra» (neste
semanário teve também a seu cargo durante o ano de 1974 a
Página feminina) e na antiga
revista «Modas e Bordados»,
na secção Cantinho
da Juventude e que
actualmente é «Mulher Moderna».
Dois casamentos,
dois divórcios, dois filhos, e um percurso profissional no ensino oficial
alternado com os estudos de Solicitadoria, que ainda exerceu durante
alguns anos, constituem uma parte da sua vida. Por fim, nos últimos anos,
ELISA SILVA conseguiu uma estabilidade profissional e pessoal, o que lhe
permitiu entregar-se ao seu primeiro amor, a escrita. É assim que surge
este romance, Porta Aberta, em que
temas como o aborto, a homossexualidade, o adultério, a pedofilia, a
violência doméstica e a violência sexual, surgem expostos com uma
espontaneidade algo amarga e inquieta. Os personagens mostram-se ao leitor
de forma simples e aberta, sem pudor, extravasando-se em momentos de
fragilidade e coragem. A amizade, a paixão, as fantasias das pessoas, a
traição, a vingança, o amor, a inveja, o ciúme, a angústia da perda e as
crises de identidade de alguns personagens, têm por finalidade pôr-nos a
reflectir um pouco sobre as relações humanas e a sua grande ambiguidade:
"(...) no seu coração havia um buraco e uma grande impotência para amar."
"(...) a entrada da filha na sua vida ensinara-lhe a ter alguma humildade:
existem certas situações relativamente às quais se deve esquecer o rancor,
e não aumentá-lo."
"(...) Tu, a mim, amas-me. Aos outros não amavas. Não precisas de dizer
que comigo é diferente, porque eu já sei que é."
"Pareço-lhe louca, não é, pai? É natural, o sofrimento enlouquece!"
"(...) as maiores lições são aquelas que a vida nos dá."
"(...) está provado, Mefistófeles é um adversário perigoso."
