Baseado na abordagem e desafios propostos
pela economia da cultura, este estudo reflecte sobre as complexas relações
que ligam a temática da Cultura aos diversos sectores da vida social e
económica.
As transformações
derivadas dos progressos tecnológicos e do desenvolvimento económico, que
fazem com que o nosso mundo seja cada vez mais global, exigem que a
temática cultural e as condições da produção artística sejam repensadas.
Partindo de uma
perspectiva dominante que faz depender a Cultura da intervenção do
Estado/Governo, questiona-se o valor, limites e perigos de uma excessiva
dependência. A partir de um desafio crítico aos argumentos que têm marcado
o debate em torno desta temática lançam-se pistas para um novo
enquadramento político cultural.
Com base numa
abordagem racional e equilibrada, são chamados à cena o Mercado e a
Sociedade Civil, como sectores produtores mas, sobretudo, como
co-responsáveis na criação de um ambiente pluralista, em que a liberdade
cultural e artística possa ser assegurada e desfrutada.
A construção de uma
sociedade mais aberta e plural implica que novas políticas culturais devam
ser repensadas, e que se procurem novos critérios de aplicação dos
recursos públicos, privilegiando áreas prioritárias para a construção do
futuro da cultura e das artes no nosso país.
Neste sentido, o caso
das Bibliotecas Públicas serve de ilustração e aplicação, na medida em que
reflecte o paradigma das instituições que, dada a sua filosofia e missão,
reflectem actividades importantes a serem suportadas pelo sector público e
que permitem colocar em prática muitas das tarefas que o
cidadão-contribuinte espera que sejam
realizadas pelo Estado.
Sofia
Graça Santos é licenciada em Filosofia pela Universidade de Coimbra,
pós-graduada em Ciências Documentais (ramo Bibliotecas e Centros de
Documentação) pela Universidade Portucalense, e mestre em Gestão Pública
pela Universidade de Aveiro.