O CAÇADOR

romance

 

José Pimenta

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Edição e Distribuição - Encomendas:

Editorial Minerva

Rua da Alegria, nº 30 - 1250-007 Lisboa

Tel. 213224950 - Tm 933631618 - Fax 213224952

 

minerva-tania@sapo.pt

www.editorialminerva.com

 

Data - 1ª Edição: Maio de 2008

Coordenação literária: Ângelo Rodrigues

 

 

Vídeos do evento por Célia Cadete - digital

 

Fotografias do evento por Célia Cadete - digital

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 Capa: Neograf, Lda.

sobre foto de escultura de Pimenta

ISBN: 978-972-591-735-0

Depósito Legal: nº 26510078/07

Formato: 21 x 14,5 cm

Páginas: 544

Preço de capa: 20 € (IVA incluído)

 

 BADANAS & CONTRACAPA

1a Badana

 

O crepúsculo descia rapidamente sobre os montes e na ilharga da estrada de rampa inclinada, cortada no bordo da encosta revestida de mato e de pinheiros bravos. O vento abanava as ramagens e criava uma sinfonia de lúgubres acordes. Caía chuva miudinha nesse fim de tarde outonal, de céu cinzento. Não havia vivalma e pressentia-se uma atmosfera enigmática, cada vez mais ameaçadora. Era a natureza nua, com toda a sua força, que parecia querer abater-se sobre o Renault parado na berma da estrada, em plena serra, à luz crepuscular.

Ema desatou a chorar nervosamente, possuída por um medo irreprimível e irracional, como que invadida por espíritos malignos, chegados das trevas.

— Por que choras? — perguntou Mário, aparentando indiferença à situação que se pressentia grave. — Há meia hora que ninguém passa, de carro... ou de bicicleta, sequer. É impossível que isto continue assim! Não estamos num deserto!... Tem calma!

— Vamos morrer de frio, aqui! Em breve é noite cerrada...

O marido saiu do carro, levantou a gola do casaco, aproximou‑se do capot do Renault e levantou-o pela centésima vez.

 

 2a Badana

 

O Autor nasceu em 1930, na Figueira da Foz. Aos 15 anos começou a interessar-se pela escultura, que desenvolveu como autodidacta, tendo participado em várias exposições a partir de 1959 até fins dos anos 90. Licenciou-se em Medicina pela Universidade de Lisboa e foi Chefe de Serviços de Urologia, nos Hospitais Civis de Lisboa (H.C.L.). Como profissional, interessou-se particularmente: pela neuro-urologia, tendo criado, nos H.C.L. a Consulta desta sub-especialidade e executado várias cirurgias plásticas deste foro; pela Andrologia, tendo introduzido no País o uso da prótese peniana de silicone e criado uma técnica original de plastia fálica. Nos anos 70 criou uma Consulta de urossexopatia neurogénia, nos H.C.L., que tornou extensiva ao Centro de Medicina de Reabilitação de Alcoitão, onde foi consultor durante 20 anos. Foi um dos membros fundadores da Sociedade Portuguesa de Sexologia Clínica. Fez inúmeras palestras e alguns artigos, uns publicados em livros nacionais, outros na revista European Urology. Organizou um Simposium (1986) e um Congresso (1993), sobre urossexopatia neurogénia. Está aposentado desde 2000.

 

 Contracapa

  

O CAÇADOR é um romance que aborda essa relação amorosa que tanta discussão levanta e tantos mal­entendidos vai gerando: relação emocional resultante dum conjunto de factores, entre os quais podemos destacar a emoção, o desejo de cariz sexual e o domínio do outro, que podem levar a comportamentos extremos, desde o de carinho ao da violência. O homem, por razões biológicas e culturais, é mais propenso para a violência que a mulher.

 

A emancipação de ambos os géneros contribui para a queda de preconceitos e para a busca do bem­estar das sociedades ao promover a plena realização emocional, o melhor equilíbrio psico­somático e a redução da violência. A compreensão e aceitação dos direitos dos outros é fundamental para criar a empatia, tanto melhor, quanto mais difundida e globalizada for.

 

Há na trama a abordagem à discussão sobre educação sexual para os jovens, tão mal assumida desde há dezenas de anos, no nosso país, que não teve ainda coragem para ultrapassar o mito do “Pecado Original”, o que distorce qualquer exposição racional sobre sexualidade humana e levanta problemas quanto aos cuidados práticos a ter perante as doenças sexualmente transmitidas.

 

O “herói” da história é um D. Juan provinciano e “self made man”, que consegue ascender na escala social e satisfazer o seu instinto de predador sensual.

 

Publicar este livro foi/é um acto de coragem e de fé, na abordagem da sexualidade numa outra dimensão que não a actual, inquinada que está por repressões e omissões. Parece-me assumir uma atitude de desafio e de ajuste de contas para com uma sociedade que, repetidamente ao longo do livro, denomina de repressiva e hipócrita.

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Quem é o autor?

Estamos perante José Pimenta Sousa Sampaio, nome que fragmentou, não em heterónimos – pois não adquire o nome de outras pessoas -  mas talvez em homómeros, cujas partes são todas semelhantes, representando cada uma delas uma faceta, que, no seu caso, têm em comum, o rigor, o humanismo e a resultante de um pensamento livre dialéctico, constituindo a unidade do seu nome completo: é José Pimenta ( o escritor ), é  Sousa Sampaio ( o urologista ) e  é apenas Sampaio ( o escultor ).

 

Quem é o médico Sousa Sampaio?

Alguns dados biográficos estão escritos numa das bandas do livro. Licenciou-se em Lisboa, na Faculdade de Medicina, da então chamada Universidade Clássica de Lisboa. Foi Chefe de Serviço de Urologia, nos Hospitais Civis de Lisboa (HCL), interessou-se pela Andrologia, tendo introduzido no país o uso da prótese peniana de silicone e criado uma técnica original de plastia fálica. Interessou-se pela neuro-urologia, tendo criado em 1970, nos  HCL, a consulta de urossexopatia neurogénica que tornou extensiva ao Centro de Medicina de Reabilitação de Alcoitão, onde foi Consultor durante 20 anos. Interessou-se também pelas infecções urinárias de repetição da mulher que relacionou com a actividade sexual. Logo, estendeu à mulher o seu interesse e conhecimentos da sexualidade feminina.

Fez inúmeras palestras e tem alguns artigos publicados em revistas nacionais e estrangeiras.

Escreveu um capítulo “ Sexualidade e Deficiência – A sexualidade do Deficiente Motor por Lesão Vertebro-Medular ”, na obra em dois tomos “ A Sexologia em Portugal “, editada em 1987, pela Texto Editora, e um outro capítulo “ Doença de Peyronie “ para a obra “ Andrologia Clínica “, um livro com mais de 700 páginas, editado pela Sociedade Portuguesa de Andrologia em 2000.

Organizou um Simposium e mais tarde, em 1993, um Congresso sobre urossexopatia neurogénica. Participou no 1º Congresso de Sexologia Clínica e foi fundador, em 1984, da Sociedade Portuguesa de Sexologia Clínica.

 

Sampaio, o escultor.

Começou a modelar o barro aos 15 anos. Frequentou o atelier do Mestre escultor Leopoldo de Almeida. Até hoje  executou  mais de 100 peças.

A primeira exibição pública foi numa exposição colectiva na SNBA, nos anos 60.

Em 1970 expôs várias peças durante o Congresso Luso-Espanhol de Fisiatria, na Figueira da Foz, onde obteve o 1º Prémio. Tem duas esculturas em bronze  na Biblioteca da Ordem dos Médicos.

Tem  peças escultóricas eróticas, tendo exibido duas em 1998, no âmbito do evento mais vasto “O Erotismo na Arte”,  durante a exposição  “ O Erotismo nas Artes Plásticas – Artistas Médicos”.                    

Possui desenhos, alguns eróticos, que foi executando desde o tempo do serviço militar obrigatório, a maior parte com a função de esquiços  para futuras esculturas.

A sua obra é maioritáriamente  abstraccionista.

Interessa-se também pela Fotografia, procurando ângulos que não permitam uma leitura imediata;  pretende que, para o observador, a imagem surja descontextualizada, integrando-se assim no conceito abstraccionista.

Teve um atelier  em Belém, junto ao rio, num dos edifícios  sobrantes  da “Exposição do Mundo Português”. É um frequentador de exposições  de arte e foi um visitante frequente da ARCO em Madrid.

O escultor Sampaio abriu-se à escrita colaborando no livro de que fui coordenador  “O Erotismo na Arte”,  publicado em 2003, que resultou de um ciclo de conferências integrado no evento “O Erotismo na Arte” que ocorreu  1998, por ocasião do Congresso Europeu de Sexologia que se realizou em Lisboa. Escreveu o capítulo  “Escultura Erótica Contemporânea”, onde afirmava: “ A Arte não é a vida, mas sim o reflexo da vida...... É o reflexo da revolução sexual iniciada  há algumas dezenas de anos, que está representada nos exemplos trazidos que procuram desmistificar a sexualidade humana, libertá-la dos tabus em que a religião a tem  procurado sufocar hipocritamente. É a verdade da sexualidade encarada, antes de mais, com a potencialidade lúdica, em que o erotismo deve ser desenvolvido e educado para uma formação gratificante, indispensável ao bem-estar pessoal e social”.

Adivinha-se a influência  do pensamento de Wilhelm Reich,  Herbert Marcuse, Reimud Reich e os ventos de Maio de 68.

É grande a intranquilidade e incómodo do médico face à doença, à morte, à injustiça social. Talvez  numa tentativa escapante, quiçá desesperada, procure enrodilhar-se no Belo para mitigar as suas angústias. Grandes nomes da Literatura foram médicos.

 

José Pimenta, o escritor.

Pimenta, como homenagem ao avô materno em cuja biblioteca iniciou as suas primeiras leituras sérias, tendo sido impressivo o livro “A Besta Humana” de Zola.

O livro de José Pimenta tem como tema central a estória de um caçador, no sentido etimológico e metafórico da palavra, que se vai cruzando com as de outros personagens que se vão transmutando, ao longo da narrativa, e seguem estórias mais ou menos  paralelas, mas que se vão entrecruzando, tendo sempre como ponto comum o caçador. É um urdir de estórias cuja tecedura se vai apertando cada vez mais.

O livro lê-se com interesse e curiosidade sobre o que se vai passar a seguir, à maneira de um romance  policial que só o é nas últimas páginas, tornando-se a sua leitura quase obsessiva.

É um romance passível de múltiplas leituras. Aparentemente é um tema erótico, à boa maneira dos livros de autores anónimos do século XIX, maioritariamente ingleses, em que se fazia a crítica do sistema social vigente, em plena época vitoriana.

Aqui  também há uma critica social, com uma excelente caracterização pessoal e social dos vários intervenientes do romance, com a ascensão social  do personagem principal e  de alguns com ele relacionados, obtida por via sexual. São estórias de amores quase impossíveis que o autor vai tornando possíveis pela sua lógica de pensador dialéctico.

Diz  António Morais, no prólogo, em perfeita sintonia com José Pimenta: ...”a monogamia é uma prática que frequentemente  violenta a afectividade e os comportamentos amorosos, recorrendo ao preconceito do direito de posse instituído pelas sociedades que ainda não se adaptaram aos tempos actuais...”.

É o amor e a sexualidade contados de uma maneira transversal, contemplando os vários estádios da vida; infância, adolescência, adultícia e senescência, salpicados aqui e ali  por um discreto humor subtil e pela cultura do escritor que vai perpassando ao longo das páginas do romance.

O escritor José Pimenta foi escrevendo coisas sobre a sexualidade que o Dr. Sousa  Sampaio lhe ia segredando ao ouvido, profundo conhecedor das orientações  sexuais minoritárias, como homossexualidade, bissexualidade, identidade de género (transexualidade) e parafilias, muitas. Há referências à guerra colonial e memórias dolorosas com repercussões sobre a personalidade e comportamentos do caçador.

Porque há dificuldade em explicar o amor e a sexualidade chamo a atenção para o que o autor do prólogo escreve, com o qual concordo plenamente: “... hoje sabe-se mais acerca  dos centros cerebrais ligados às emoções e aos comportamentos com elas relacionados: a sexualidade faz parte desse complexo neuroendócrino e cultural, que nos humanos atingiu um refinamento  variável de pessoa para pessoa.”

O livro contem muitas reflexões sobre a sexualidade, o amor, as emoções, os sentimentos de culpa e outros, com uma visão muito pacificadora, muito paradisíaca das relações humanas, definindo José Pimenta o bem-estar como: “... a plena realização  emocional e melhor equilíbrio psico-somático e a redução da violência. A  compreensão e a aceitação dos direitos dos outros...”.

Há dois subtemas muito importantes no livro: um é a educação sexual para os jovens; o outro é o respeito pela criança que irá nascer, que deverá ser gerada por pais saudáveis, intelectual e afectivamente responsáveis. Dai a importância da Educação Sexual na prevenção de possíveis gravidezes.

 

Em resumo, é um livro que poderá chocar algumas pessoas, mas é um livro honesto, que tem como pano de fundo as reflexões do escritor José Pimenta e as do médico Sousa Sampaio, sobre comportamentos sexuais e afectos, pretendendo induzir os leitores a pensarem e a aprofundarem um tema tão complexo e controverso como é a sexualidade humana

     

António Santinho Martins

Médico Andrologista

Ex-Presidente da Sociedade Portuguesa de Sexologia Clínica

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CONVITE 

 

A Editorial Minerva e o autor, têm o prazer de convidar V. Exª, família e amigos, para a sessão de apresentação do romance O CAÇADOR de José Pimenta, a realizar no dia 26 (segunda-feira) de Maio de 2008 pelas 18:30 horas em

 

CENTRO HOSPITALAR PSIQUIÁTRICO DE LISBOA

(HOSPITAL JÚLIO DE MATOS)

Auditório

Avª do Brasil, nº 53 – Lisboa

 Autocarros da Carris: 7-31-33-35-45-50-68-83-85

 

Coordenação da sessão e breve reflexão sobre a obra e autor pelo “animador de ideias” Drº Ângelo Rodrigues. Apresentação da obra pelo Drº António Santinho Martins. Leitura de um excerto do romance pelo actor von Trina.

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