PREÂMBULO
conto
«(...) Oscar
Wilde escreveu duas frases que, na minha idiossincrasia, traduzem bem a
necessidade e a importância espiritual de uma “outra vida” (ou dimensão desta)
talvez mais autêntica e real que aquela a que estamos habituados e à qual
estamos presos julgando – por vezes – ser a única: «a literatura antecede
sempre a vida»; «o máximo na literatura é a realização daquilo que não
existe». Podemos ser e ter tudo em Literatura, sobretudo aquilo que
julgávamos não existir. “O que (ainda) não existe” – para aqueles que perderam
a capacidade de sonhar, de imaginar - é a outra dimensão da Vida; quando
narramos aos outros e a nós mesmos, os nossos desejos, utopias, sonhos,
impossibilidades e vontades radicais, estamos a criar, como deuses, – no
Olimpo da Literatura - aquilo que “não existia”. Também Fernando Pessoa(s)
assumia, em termos de Vida-vivida, com mais autenticidade e sentido(s), pelo
fingimento e com as máscaras (uma outra forma de imaginar e criar mundos), o
primado da Vida-Literatura: a literatura como toda a arte, é uma confissão
de que a vida não basta”».
Escrever, seja o que for, com
coerência, paixão, sentido(s) e capacidade de inovação, é cada vez mais
difícil; vivemos rodeados de verborreias televisivas e outras de toda a
espécie (sobretudo no plano da Educação e Ensino) – arriscamo-nos ao
esgotamento e à de(s)ignificação dos rituais, do encanto, dos mistérios e da
magia do Ver-a-Ler, das palavras-luz através das quais se vê o mundo –
escre(ver) é ver, ver é contar... Recriar o mundo pela narrativa, é talvez uma
das tábuas de salvação do Homem (...)».
poesia
«(...)
A tentação primeira, perante a leitura de uma qualquer obra poética, deve ser
a de nada lhe perguntar pois talvez nenhuma pergunta seja possível. Escreveu
Eduardo Lourenço nessa maravilhosa obra chamada Tempo e Poesia:
“Compreender a poesia é olhá-la sem a tentação de lhe perguntar nada. É
aceitar o núcleo de silêncio donde todas as formas se destacam. A obra vale
pela densidade de silêncio que impõe. Por isso os poetas que imaginam dizer
tudo são tão vãos como as estátuas gesticulantes”.
Sabemos e
sentimos que a Poesia é bem mais do que uma linguagem: energia-cósmica que
impele a procura de nós, trilho do Graal, mística, amor, paixão, algo
sagrado. No poema, as palavras não são palavras, são “outra coisa” que tem a
força e o sentido de uma oração a todos os deuses. Fruir estes poemas-oração,
é como descansar serenamente - e por magia - sobre as águas do Mar num dia
calmo e ao crepúsculo (...)».
Ângelo
Rodrigues
CONVITE
Editorial Minerva e os autores,
Silvestre Raposo, Gabriela Rocha Martins, Maria Isabel Matos Pereira
Agante, Lilia Trajano, Sara Madaleno, Ana Amorim, Silvia Rodrigues, João
Gama, Manuel L. L. Monteiro, Visconde de Valmont, Delmar Maia Gonçalves,
Sofia Muller, José Fontinha, Israel de Freitas, Irondina Viegas, Maria
Ramos, Ana Lúcia Branco, Maria Valadas, Sara Brazinha e Maria Ivone Palrão,
têm o prazer de convidar V. Exª, família e amigos, para
a Sessão de Apresentação da colectânea INQUIETAÇÃO - conto & poesia, a
realizar no dia 18 (Sábado) de Março de 2006, pelas 18:30 horas em
PALÁCIO
GALVEIAS - Biblioteca Municipal Central
Sala
das Colunas - Campo Pequeno - Lisboa
Autocarros: 1, 17, 21, 27, 28, 44, 45, 47, 49, 54, 56, 83,
90 / Metro: Campo Pequeno
Coordenação da sessão
e apresentação da obra e autores pelo animador-cultural
Ângelo Rodrigues.
Intervenção dos autores. Momento musical pelo grupo
O Seu Contrário.